terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Mais fora do que dentro

E ai, blogosfera, onde irão passar o réveillon?

Ops, não, pera... Quase carnaval 2018 e a pessoa aqui nem teve a decência de vir desejar um bom ano novo. Toca aí a música da Simone de novo só pra entrar no clima.


Por aqui hoje estamos completando 10 meses de tagarelice/fofurice/gostosurice e uns ices a mais.  Finalmente Dona Azeitona está mais tempo fora da barriga do que dentro. Esse pequeno ser já fala praticamente um dicionário:

Mamain/ Papai /Kiq (apelido do irmão – Riq de Henrique) - por sinal preciso escrever sobre esse amor fraternal /Gáki – gato / Ux – luz/ Caiu (no sentido de cair e no sentido de ir embora – cadê o papai? Caiu)/ Carim – carinho/ Ai ai ai (pro gato, quando faz besteira – disciplina positiva pra que, né?)/ Mamá – peitinhos né minha gente


Agora vamos para a parte: como a vida anda tratando vocês?

Aqui, trollação sempre. Pra sempre. 

Tivemos aquele sustinho básico pra começar o ano com o pé direito, né não?

Rebobina minha filha porque não tô entendendo nadaaaa. Ora pois, vejamos:

Por aqui ainda não tive a visita de Miss Red. Foram pouco mais de 40 dias de lóquios (sangramento pós-parto) e depois, nem tchum.

Seguimos em livre demanda e doando leite. Oli faz questão de mamar quase como um RN. Ôpa, tem peitinho free? Tô mamando. É na praia, na barraquinha de comida vegana, na sinagoga, na rua, na chuva, na fazenda, na casinha de sapê... O rio de janeiro inteiro já viu meus mamilos por aí (nem ligo para os comentários inoportunos de pessoas que não pagam minhas contas, mas que adoram se meter na minha vida).

Voltando: nada de miss red. Apenas cólicas. Seguidas de enjoos. Seguidos de dores de cabeça. Seguidos de camisinhas fora da validade (ou o não uso delas só pra dar aquela adrenalina na vida). Seguidas de paranoia.

Não que minha vida sexual esteja tão animada assim (quem dera colegagem, quem dera...), mas vai que, né?!

Sem mais delongas: fiz o teste, deu negativo. Descobri que meus enjoos eram efeito colateral de um suplemento de cálcio que eu estava tomando. Parei, melhorei. Ô Glória.

Ah poxa o terceirinho tem que vir seguido de gráfico de temperatura basal, analise de muco, contagem regressiva, mudança de continente...


Isso ai já é assunto para outros posts. Hoje vim aqui rapidim só encher linguiça. Volto em breve com um post sobre criação com apego, tá quase pronto, já escrevi 3 linhas e meia.


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

aplv - alergia a proteína do leite de vaca

(e da soja também porque eu vivo a vida no modo hard)


Nossa, no meu tempo não existia isso! Frescura dos tempos modernos...

E essa frase é uma das que mais escuto por aí. Climão. Treta. Poker face.

Ô moça, como foi que você descobriu que sua filha tinha esse tal apv, apl, plv breguete ai?

Vivenciando isso aqui, ó:
  • Regurgitação nível hard;
  • Diarreia pra sempre;
  • Muco gelatina everywhere;
  • Assaduras;
  • Cólica;
  • Sangue nas fezes;
  • Uma pitada de genética do tataravô italiano (ou seria polonês? Confundi aqui, péra...)

 E assim surge a pisciana ‘aplv + soja’ mais cool da blogosfera.

Bebéia sofria com os 5 primeiros sintomas aí de cima. E eu sofria junto, lógico. O estopim foi aos 3 meses, depois de jantarmos em uma pizzaria (umas 70 fatias, coisa básica, pouco exagero). Os dias que sucederam foram regados a choro, diarreia intensa, vômitos, super mucos, assadura e a tal cereja do bolo: sangue nas fezes. Mais uma vez a vida me testando. Glorioso.

Como Oli só se alimentava de leite materno, o pediatra da época me aconselhou a imediatamente iniciar uma dieta livre de leite, soja e derivados. Soja também porque muitos bebês que são alérgicos a proteína do leite costumam ser alérgicos a proteína da soja.

A partir dai foi só tiro, porrada e bomba. Penei pra entender esse novo mundo e me familiarizar com a dieta. Virei uma leitora de rótulos (pode contratar gente, tá tudo nos trinques). Marido idem, claro.

‘Ah que fácil, hoje em dia tem vários produtos zero lactose, para de mimimi.’

E pra explicar pra galera que Intolerância a lactose não tem nada a ver com alergia a proteína do leite de vaca (aplv)? Lactose é o açúcar do leite, existem produtos livres desse açúcar (zero lactose), mas não existe nenhum produto que contenha leite que seja livre da proteína (obviamente). A vida agora é sem leite. Nadica de nada. Nem um tiquinhozinho.

E existem também os traços. Oh God.
Pode conter leite/soja: quando o maquinário utilizado para aquele produto específico sem leite/soja também é usado para a fabricação de outro alimento que contenha leite/soja. Isso se chama contaminação por traços. E colegues, saporra tá em quase todas, uma beleza!


Pouco mais de 1 mês depois, fizemos um teste com a soja. Era aniversário do primogênito. Botei shoyu na comida, êta maravilha. Diarreia + muco + vômitos + sangue nas fezes. Socorro: cancela a soja, CAN-CE-LA A SO-JA .

E volta pras dietas tudo.

A partir daí trocamos de pediatra. Fomos indicados para uma gastropediatra super fofa e atenciosa que segue conosco.

Um breve resumé (em francês porque a gente é chique, né): já vivenciamos 4 episódios diferentes de sangue nas fezes (todos seguidos de choro, dor, vômitos... básico). Demoramos um certo tempo para estabilizar. Teve um mês que Oli ganhou apenas 10 gramas (devido às inúmeras diarreias). Sobrevivemos.

O caso dela é de IgE não mediada. Tô botando esse link que me ajudou demais e explica tudo direitinho pra quem tiver interesse: http://www.alergiaaoleitedevaca.com.br/tipos-de-reacoes

Hoje bebéia está estabilizada, nossa dieta segue firme e forte.  Mudei completamente meus hábitos alimentares (que melhoraram ainda mais com a introdução alimentar da Oli – assunto pra outro post). Tenho agora panelinhas só pra mim. Uso leite de arroz, coco, amêndoas. Substituí o creme de leite por biomassa de banana verde (delicia, juro, pode confiar). A manteiga virou Veghee.

A parte chata é que dificilmente rola de comer fora de casa (só restaurante vegano). Virei a pessoa da marmita. A roubadora de tupperware da vovó. A quase fitness, só me faltam os músculos.


Quem tiver interesse, precisar de dicas, estiver passando por algo parecido ou se apenas é meio fofoqueiro interessado como eu, pode mandar msg, email, sinal de fumaça... Só não me peçam nunca, nunquinha nessa vida de Deus, ajuda pra chegar em algum lugar. Vou te levar pra coordenada oposta, vai por mim...

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

relato de parto - welcome to partolândia

Agora que você já se recuperou do momento bafão do post anterior, vamos, enfim, ao relato de parto mais enrolado e empurrado com a barriga da blogosfera. Prestenção, pegalá as gordices que eu sei que você tem na dispensa e senta que lá vem mais história...

(se você ainda não leu o post anterior, corre lá que eu tô te esperando)


"Dizem que antes de um rio entrar no mar, ele treme de medo. Olha para trás, para toda a jornada que percorreu, para os cumes, as montanhas, para o longo caminho sinuoso que trilhou através de florestas e povoados, e vê à sua frente um oceano tão vasto, que entrar nele nada mais é do que desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira. O rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar é impossível na existência. O rio precisa de se arriscar e entrar no oceano. E somente quando ele entrar no oceano é que o medo desaparece, porque apenas então o rio saberá que não se trata de desaparecer no oceano, mas de tornar-se oceano." - Osho


‘Irmã, não nasce na quarta feira não, é dia de futebol na escola. Nasce na quinta porque estou com preguiça de ir à aula de violão.’

E assim aconteceu. Aquela conexão de quem dividiu o mesmo útero. Praticamente um complô.

Dia 14/03, uma terça feira, fui à ultima consulta com a G.O., o resto do tampão já havia saído, eu estava com 1cm de dilatação e estava tudo ótimo com Dona Azeitona. Não poderíamos utilizar remédios indutores, já que eu tinha uma cesárea anterior, e iríamos esperar até 41 semanas para fazer induções naturais. Naquele momento já estava toda trabalhada no medo do trabalho de parto não engrenar. 

No Dia 15/03 à noite, uma quarta feira, com a gravidez nos 45 minutos do segundo tempo e a paciência acabando mais rápido que a bateria do meu celular (e do seu também), notei que estava molhada: êpa, tô vazando. Botei o carefree amigo e mantive um leve foco na paranoia.

Umas 2 horas depois, eu já estava no terceiro carefree e nada daquele cheiro de água sanitária que todo mundo diz ter o liquido amniótico, logo presumi que não era a bolsa: legal, tô com incontinência urinaria. Estava bacana saber do meu grau evolutivo. Pensei em dormir, mas acabei me jogando o google: ´como saber se minha bolsa estourou’ ‘incontinência urinária na gravidez’ ‘liquido amniótico sem cheiro’ ’41 semanas e estou vazando’. Neurose apenas.

As contrações de sempre iam e voltavam... Se o trabalho de parto for todo assim, tô feita. Esse povo fala demais da dor. Que frescura, tranquilinho isso daqui. CUSPI PRA CIMA, lógico. 

Às duas e meia da manhã eu sinto um tsunami de água transparente, inodora e quentinha escorrer pelas minhas pernas. Água, muita água no meu colchão NO-VI-NHO, benza Deus. Acordo o marido com a maior empolgação do mundo: ‘a bolsa estourou, é hoje’, seguido por: ‘ainda bem que não tem mecônio, né, MAGIIIINA como seria limpar essa sujeirada toda’.

Enquanto eu, plena, estava comemorando internamente o inicio do trabalho de parto no estilo programa do Silvio Santos: é ritmo, é ritmo de festa (é pra ler cantando a musiquinha pra dar aquela agregada de valor ao post), marido estava tendo um breve ataque de pelancas.

Graças ao siricutico do marido, imediatamente avisamos pra G.O. e para a enfermeira obstétrica (vamos chamar de E.O.). Meu próximo passo seria avisar quando as contrações estivessem de 5 em 5 minutos. Ok, tenho tempo ainda... 

Lá fui eu fazer a unhas. Pimba, uma contração, pausa no esmalte. Agora sim uma contração decente, bem mais forte e real. Naquele momento eu ainda estava com aquele sentimento de novidade: AI QUE LEGAL ISSO DE TRABALHO DE PARTO HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ HÁ.

Volta pro esmalte... E pausa pra contração, e volta pro esmalte, e pausa... Assim se sucedeu por uns 15 minutos, quando o marido, preocupado, liga pra E.O. avisando que as contrações estavam com uma frequência de 3 minutos entre elas. 


Pois é blogosfera, já comecei logo no nível hardcore.

‘Ah, bacana, meu trabalho de parto vai ser rapidinho’ #iludida

Enquanto eu finalizava as unhas (pode julgar, minha gente, pode julgar), E.O. estava a caminho. Quando chegou, as dores já estavam cada vez mais fortes e longas. Junto com ela chegou minha mãe pra buscar meu filho, que estava feliz da vida por não precisar ir à escola aquele dia. Ele não sabia se ficava contente pelo nascimento da irmã ou se ficava assustado com meu comportamento, digamos, que, primitivo. Era aquele mix de desconfiança, medo e felicidade estampado no rosto.

A partir daí eu perdi a noção de tempo. Fiz um coque horroroso no cabelo... Coque não, nó mesmo (que tô tentando tirar até hoje) e fui pro chuveiro, sempre tomando aquele cuidado para as unhas não borrarem. Glorioso. 

(Pausa para o momento fofurômetro: minha gatinha, que estava super antenada com a situação, não saía do meu lado.)

La pras 5 e pouca da manhã (do meu relógio inventado, pq não tinha noção NENHUMA de hora), E.O. foi me examinar: colo já fino e centralizado com um de dilatação. Um. Hum. 1. ONE.

UM, GALERA, UM.

TODA-A-DOR e continuava com UM de dilatação... E eu já me considerava na partolândia há muito tempo. Que ilusão. Naquele momento saquei a pauleira que iria enfrentar: agora fudeu.

Para evitar engarrafamento, marido e E.O. acharam melhor irmos para a maternidade (acabamos optando pela maternidade mais longe de casa). Coloquei um vestido cafona qualquer e fomos. Nesse momento eu ainda tinha alguma dignidade. Digo, alguma, apenas.

Trajeto casa-maternidade: O que falar sobre a experiência de estar em trabalho de parto num transito matutino carioca? Sofrência blogosfera, sofrência seguida de quase morte com requintes de crueldade. Eu berrando, segurando o rebozo e apertando a mão da E.O., que estava lá firme e forte ao meu lado. Culpei o marido por T-O-D-A-S as ruas esburacadas dessa cidade. Tá rachadinho ali no cantinho do asfalto, tá vendo? Culpa do meu marido.

Às 7h da manhã demos entrada no hospital (só sei disso porque estava escrito no partograma), onde minha G.O. já estava esperando, e fui direto para a sala de Parto Natural. Sala bacana, escurinha, chuveiro, banheira, luzes imitando estrelinhas, bem naquele estilo: entra aqui, fique à vontade, pega uns drinks... Coisa fina, só glamour.


Ah a banheira, divina banheira. Devia ter tirado uma foto pra emoldurar e colocar na parede da sala. Como ajudou, passei umas boas horas lá. Era levanta, deita, senta... Tudo pra ver qual a melhor posição para encarar as contrações. E digo amigas, não há. Dói sempre. Aquele papinho de ser tipo pedra nos rins, balela. Não há adverbio de intensidade capaz de descrever a dor física que eu estava sentindo.


Logo eu, que me preparei tanto para um parto tranquilo, cheio de conexão com o meu corpo e de contrações amigas. A dor, que antes era a menor das minhas preocupações, se transformou em personagem principal. Eu estava ali, de mãos dadas com ela, na minha partolândia. Não cheguei nem a ficar brava com as piadinhas inoportunas do meu marido. Aquele meu lado meio controlador e perfeccionista estava lá longe me dando tchauzinho. A solução era se jogar como se não houvesse amanhã.

A cada contração, a sala de parto, até então silenciosa, era contemplada com um maravilhoso ‘AAAAI AAAAI AAAAI’ vocalizado por mim, porque, na hora da dor, meu bem, não dá pra segurar não. E se alguém colocasse alguma música da minha playlist preparada especialmente pro parto, eu arremessava o celular longe. Eu precisava do silencio, e vocalizar me ajudou a passar por todo o processo (e a morrer de vergonha também).

O tempo foi passando e eu nem fui sentindo. Periodicamente G.O., E.O. ou a G.O. assistente vinham verificar os batimentos da bebê.

Continuei na minha banheira amiga. Cheguei a dormir dentro dela e brigar com a contração me acordando: ‘não, não, nãaaao, de novo nãooo, eu estava dormindo, poxa vida’... Todos riram. Menos eu. Eu tava puta, tava dormindo, poxa.

Ali minha dignidade já estava no fundo da poça de cuspe que eu dei pra cima. Eu parecia mais uma sobrevivente de um apocalipse zumbi. E pra piorar meu cabelo decidiu me sacanear... Estava semi molhado, coque caindo, cheio de frizz.  Eu já estava sem top, toda nua, zero pudor. Tudo muito glorioso. E primitivo. E nada, nada de sanidade mental.


Lembro que foram feitos 3 toques ao longo do meu trabalho de parto (com 1, 7 e 10cm). Acredito que o momento em que estava com 7cm de dilatação, foi quando a dor chegou ao seu  apogeu. E lá se manteve. Caminhei no vale das sombras da morte. E temi pra cacete.

Com 10cm de dilatação eu não tinha mais forças nem pra mudar de posição. Não por ter uma dor com intensidade aumentada, mas por já estar muito, muito esgotada. Acabei optando pela banqueta de parto. Eu sentadinha lá, acocorada, meu marido atrás de mim me segurando. E assim demos início ao tão temido por mim período expulsivo.

Nessa hora eu pedi ajuda. Eu não aguentava mais, se existe algum limite de exaustão física, eu estava nele. Cheguei a pedir buscopan, vai que, né?!

‘Você esperou chegar a 10cm de dilatação pra pedir anestesia? Fez charme, pois sabia que não poderia mais tomar.’

É, acho que foi charme. Era só pra dar o recado: tá doendo, tá?! Tô sofrida.

A equipe, sempre tão doce, me deu forças para continuar:

’sua bebê já está chegando, só falta nascer. Ela precisa de você.’


E ali você, já tão desgastada, retira forças (não sei de onde) pra continuar. É, eu estava parindo minha gente.
‘Faz força quando sentir vontade’

Que vontade, minha gente? Foi então que naquele momento eu senti uma pressão interna tão forte que não sabia nem se era o tal momento de fazer força, mas fiz. Força, muita força, uma força que nem eu sabia que seria capaz de fazer... Enquanto eu fazia força, meu marido atrás de mim, me segurando, fazia força junto apertando levemente os meus braços. Aquele papo de força amiga sabe, vai que nasce mais rápido, né?!

 Agora visualizem o dilema: pra abrir pote de azeitona preciso da ajuda do marido, mas pra parir tô de boa. Ok, vida que segue.

A pressão era tanta que eu nem estava sentindo mais a hora que acabava e começava a contração: ‘quedê o espaço entre elass? QUEDÊ??? TÔ DE ALTOS’. Fazer força me tirava a dor. Fazer força era bom. Eu só queria ter minha filha nos braços e acabar logo com tudo.

E naquele momento tão especial me lembrei do medo de fazer cocô no parto. Tanta coisa linda pra focar, e minha mente trolladora me fazendo pensar em fazer força pra frente (alô, dignidade?).

O expulsivo durou tipo uns 754 anos apenas. Pra aumentar um pouquinho o nível de dificuldade, D. Azeitona estava com dorso à direita e precisava rotacionar um pouco mais para nascer, aumentando assim o tempo do período expulsivo. Era a vida me testando.

Pra completar, comecei a sentir a tal ardência. Eu disse ardência? Que pessoa modesta. O que chamam de Círculo de fogo, eu chamo de labareda do inferno versão vagina. Oh God, como ardeu!


Toda aquele papo de pessoa empoderada que vai fazer e acontecer no parto, sentir a cabecinha do bebê saindo, dançar e sorrir como uma deusa, caiu por terra. Eu já estava aflita. Que tanto de força eterna é essa que eu tô fazendo e minha bebê não nasce?

‘porque minha bebe não esta nascendo? Mimimi Why God, Why? Mimimi’

‘sua bebe esta nascendo, quer sentir a cabecinha?’

‘NÃO’

Oi? Como assim eu disse NÃO, blogosfera? Passei quase 41 semanas jurando pela nossa senhora protetora dos blogs que eu fazia questão de sentir minha filha saindo de mim e na hora nem tchum??? Pode isso?

E pra piorar, das poucas vezes que olhei pra baixo, via um mar de sangue e gosma que só me faziam pensar que meu útero estava rasgando #drama

Em meio ao caos, eu foquei.

E então, com 40 semanas e 6 dias de gestação, em um ensolarado 16 de março, ao 12:38, ela veio. Eu, acocorada na banqueta, com meu marido por trás me segurando, senti cada partezinha da minha filha saindo de dentro de mim. Escutei o chorinho dela antes mesmo de ver seu rostinho. E peguei aquele serumaninho que gestei com tanto amor. E me emocionei com toda a força. E conjuguei o verbo no infinito. E ali eu, então rio, tornei-me oceano, novamente.


Olivia nasceu com 51cm e 3,905kg e teve apgar 9/10.
Foram 10 horas intensas de trabalho de parto.
Meu parto foi natural, sem qualquer tipo de intervenção.
Eu tive uma pequena laceração e levei ponto.
Parir dói (e muito), mas tem poesia. Faria tudo novamente.
(Ah, eu não fiz cocô no parto rs)


terça-feira, 21 de novembro de 2017

momento bafão pré relato

Enquanto isso, nos bastidores,

Corre, pega a pipoca e vem prestar atenção no momento mais bafônico da história desse blog:

Não apareci aqui antes por não saber ainda como contar pra vocês a minha história. Como já expliquei em outros posts, esse blog deveria ser apenas uma rede de apoio momentâneo nas tentativas de engravidar e, logo após o positivo, seria deletado (pluft, pros ares). Mas a coisa foi degringolando, eu já estava mais apegada que recém nascido no tetê. Não consegui.

Então, se for pra ficar, que seja de forma transparente. Pega a lupa e vem ler um microscópico resumo da minha vida (que vai ser assunto para outros posts, prometo). #momentotensão

1-      Esse não foi o meu primeiro parto. Esse foi o meu VBAC – parto normal após cesariana.


2-      Eu tenho um filho que já longa uma década nesse planeta (!!!!!), fruto do meu primeiro namoro. Ele é meu rapaz lindo que sempre me acompanhou e cresceu junto comigo em cada etapa da minha vida. Hoje ele é o irmão mais velho mais incrível e protetor ever. Dona azeitona que o diga!


Vou dar uns dias pra vocês me perdoarem e assimilarem a notícia bomba.

Dia 24 às 7 da manhã o relato de parto estará aqui publicadíssimo (tá programado, juro). 

Bêjo pra vc q não tá julgando a coleguinha

terça-feira, 3 de outubro de 2017

tô voltando

“Enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, tá calor
Vai pegando uma cor
Que eu tô voltando”

6 meses e meio de uma bebê levada que já fala papai (ó céus), já come frutinha e já deixa mamain de cabelo em pé #glorioso

4 meses e uns quebrados de um silêncio absoluto nesse blog. Quase natal nas redjes sociais e eu aqui, perdida no tempo.

Um relato de parto pronto e esquecido, pegando mofo no fundim de um caderno na mesinha de cabeceira.

Uma falta de vergonha na cara.

Um bafão que eu preciso contar.

E aquela vontade ENORME de voltar.

Troco foto de bebê azeitona por perdão pelo sumiço.



Pode se preparar porque eu tô voltando ;)

quarta-feira, 31 de maio de 2017

aquela coisa chamada puerpério

“Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei”

Voltei rapidamente enquanto Dona Azeitona está de boas tirando uma sonequinha na cadeira milagrosa que ela ganhou. Cá estou eu comendo uma gordura trans e digitando o mais rápido possível pra tentar tirar a poeira que se instalou por aqui...

Mentira, vim na base do desespero mesmo só porque lembrei que no mês de maio não houve nenhuma postagem.

Hoje fomos ao pediatra e adivinhem o que teve? Isso mesmo, um super chororô nível barraco de novela mexicana: 2 meses e meio, 60cm e 6kg de puro cosplay de Maria do Bairro. Vocês leram direito? DOIS MESES E MEIO nessa vida de meu deus...  Já estou cultivando a tristeza por esse tempo sacana estar passando rápido demais. Vê se pode, minha exterogestação já está em vias de acabar...

Agora vamos para o resumo dos últimos capítulos:

1-      Dona Azeitona é a rainha da pele sensível. Já viram minha pequena problemática com as fraldas descartáveis, né... Vira e mexe rola uma senhora assadura com pós graduação por aqui. Começamos a entrar na Era das fraldas de pano modernas e ecológicas. Que amor. Confesso que é mais fácil do que imaginei. Estamos intercalando entre a fralda de pano e as descartáveis. Pra dormir: pano (muito mais confortável), pra sair: descartável (pela praticidade – não vale julgar a coleguinha). Nos momentos em que ela costuma fazer mais cocô, por ser muito líquido ainda, rola a descartável. Vou fazer um super post sobre isso quando ficar craque no assunto;

2-      A amamentação segue firme e forte por aqui. Aproveitei pra doar leite. Estamos doando para o Instituto Fernandes Figueira e é super prático: tiro leite com a bombinha 1 vez ao dia pela manhã, que é quando meus peitos estão mais cheios, e vou congelando nos potinhos. Uma vez por semana eles recolhem o leite e trazem novos potes pra armazenagem. É muito gratificante saber que o alimento que eu produzo pra minha Azeitoninha alimenta também outras crianças que precisam (prematuros) =)

Uma breve pausa enquanto sambo de leve na cara da sociedade: as pessoas dizem que sou magrinha e meus peitos pequenos, não acreditam que minha filha só se alimenta do meu leite e ainda consigo doar. Tá vendo society, como não dá pra julgar o livro pela capa...

3-      Pensei muito sobre como continuar com o blog. É realmente complicado manter um ritmo de postagem com uma bebê que não sai do colinho. Agora que a pequena está dormindo um pouquinhozinho melhor, vou conseguir aparecer mais. Pensei em criar um instagram como complemento do blog... Quem aqui faz isso?


Prometo que atualizarei esse cantinho quinzenalmente! Ah, e o próximo post será sobre o relato de parto, e agora é sério =)


terça-feira, 25 de abril de 2017

mas que raios eu estou fazendo de errado?

Pois é blogosfera, já é quase natal na Leader Magazine e esse relato de parto ainda não saiu. 

Primeiramente, desculpem o melodrama dos últimos posts... Eu tava ó, sensível pra caramba! O maior mimimi do universo por conta de 1 semaninha de atraso. Vê se pode?! Meu babyblues foi antes do bebê pelo visto...

Segundamente, desculpem a demora. Biscoitinha dorme super pouco, e sempre no colinho da mamãe (ela está dormindo no sling nesse momento - vamos glorificar de pé);

Terceiramente, desc... O bebe acordou, já volto.

3 DIAS DEPOIS...
E assim se resume a minha vida.

Era pra eu vir aqui hoje com meu relato de parto prontinho, mas a coisa toda tá andando em marcha lenta. Cada vez que venho aqui escrevo um pouquinho... E o post já está mais retalhado que roupa de festa junina. Assim não dá.

Eu já não fazia ideia do que eu estava escrevendo. Sabe como é né, o relato de parto tem que ser um post digno de relato de parto. Tenho que dar um gás aqui. Ele vem antes que Dona Azeitona tire a carteira de motorista, prometo.

Por aqui estamos bem. Uns probleminhas de família relacionados a saúde, mas bem. Amamentação tá linda, vou escrever muito por aqui sobre isso. Estamos vivendo um puerpério cheio de aconchego e colinho.

Dona Azeitona é super fofa, aprendeu a rir, adora bater papo, está uma gorducha, com bochechas que mais precisam de um guindaste para serem levantadas (pessoal do snapchat tá de prova). E eu, como sempre, super humilde sóquenão (é que não dá pra falar da cria sem aquele brilho nos olhos, sabe)?!
tipo essa bochecha ai, só que maior
Ela só fica no meu colo. SÓ. O resto do povo tem espinhos nos braços. O carrinho também. Graças ao sling eu consigo fazer xixi (com ela junto, claro), meus banhos são cronometrados, e quase sempre com chorinho de bebê como trilha sonora. Unhas nunca mais. Tô o bagaço da laranja, mas tô maternando feliz, isso que importa. Eu AMO minha filha coladinha comigo. Por aqui rola cama compartilhada também. Dá pra perceber que essa menina é a rainha da exterogestação, néeeeam. Tô literalmente vivendo o quarto trimestre de gravidez.

Por sinal, tô sendo mega criticada por dar muito colo pra minha filha, dizem que estou estragando a criança. Desde quando excesso de atenção e carinho estraga alguém?! Pelo q eu saiba, só o contrário causa danos. E minha coluna vai bem, obrigada.

Sobre o sono, as madrugadas são ótimas, só acordamos pra mamar e voltamos a dormir. Durante o dia é um olho que não fecha. Cheguei a fazer, a pedido do pediatra - quem já viu o filme “Renascimento do Parto”?! Pois é, ele está lá, G.O. Maravilha também - o diário do sono e descobri que essa menina não dorme mais que 13 horas por dia, sendo em média, 11!!!! Isso contando as sonecas de passarinho de 20 minutinhos. O ideal para um RN são 16 a 18 horas diárias de sono. Ok, ela dorme pouco, mas e daí?!

E daí que rola o efeito vulcão. Vai chegando ao final do dia, lá pras 18h, e ela chora, chora, chora... Só quer a mamãe e o mama da mamãe, mesmo assim chora. Rola banho de ofurô, shantala, passeio de carro, paciência de Jó... Ela pára, mas em breve volta tudo de novo. Um ciclo sem fim.
ela
eu
 Eu leio e releio todos aqueles textos maravilhosos do pediatra espanhol Carlos González (pois é, depois da gravidez, trocamos o Michel Odent pelo González) e fico me perguntando:

Que merda eu estou fazendo de errado? Porque meu bebê chora?

E encontrei cavucando o amigo google esse site aqui (tá em inglês, e tempo pra traduzir prazamiga não tá rolando): http://purplecrying.info/what-is-the-period-of-purple-crying.php

Então tá, vamos de Purple time! A única coisa que nunca, nunquinha vou fazer, é deixar meu bebê chorando por algum espaço de tempo sem consolo ou sozinho.


Ps. Esse post foi escrito super rápido durante uma sonequinha de 50 minutos no sling. Oremos por alguma coerência em minhas palavras.